6.9. Material Genital

6.9.1.  Considerações Gerais

1.  A seleção de material genital, bem com sua coleta adequada são fatores importantes na interpretação das culturas, uma vez que estes possuem uma quantidade grande de microrganismos saprófitas.

2.  Culturas vaginais de rotina não são indicadas devido ao motivo exposto acima.

3.  Culturas anaeróbias são limitadas a certos materiais.

4.  Muitos agentes de infecção genital em mulheres são limitados a certos sítios anatômicos.

5.  Nos casos de suspeita de infecção por Chlamydia trachomatis deverá ser solicitado exame por imunofluorescência. Existe uma associação entre infecções por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.

6.  Material purulento proveniente da glândula de Bartholin, poderá ser obtido diretamente do ducto, após massagem digital ou colhida através de seringa por procedimento médico.

7.  Endométrio – este tipo de material é melhor coletado por curetagem por procedimento médico. Recomenda-se o uso de swabs protegidos para coleta via cervix, para se evitar contaminação com microbiota vaginal.

8.  DIP (Doença Inflamatória Pélvica) – o material é coletado por técnica invasiva por procedimento médico; líquido peritoneal pode ser coletado por aspiração do fundo de saco vaginal (culdocentese) por procedimento médico. Material retirado diretamente dos ovários ou tubas uterinas são coletados cirurgicamente.

9.  Vulva – raspados, aspirados ou biópsia não tem muito valor para cultura a não ser em casos de suspeita de sífilis. Nos casos de suspeita de sífilis a lesão deverá sofrer uma abrasão cuidadosa com gaze sêca até que um fluído seroso comece a fluir, tomando cuidado para evitar sangramentos, o que acarreta interferências com o exame em campo escuro (procedimento médico).

10.   DIU – são removidos cirurgicamente evitando-se contaminação cervical ou vaginal. Coloque todo o DIU dentro de um recipiente esterilizado de tampa vermelha para ser transportado para o Laboratório.

11.   Infecções por Chlamydia trachomatis – não aceitar secreção vaginal para pesquisa de Chlamydia, uma vez que este microrganismo não pode crescer nas células epiteliais escamosas da vagina. Chlamydia são parasitas intracelulares obrigatórios do epitélio colunar do cérvix. Realizar coleta de material endocervical, raspando-se o endocérvix para se obter células e secreção. Com o swab confeccionar esfregaço em duas lâminas colocando-as no tubete. Anotar com auxílio de um lápis na parte fosca da lâmina, o RG lab.

12.   Detecção de Streptococcus do grupo B em mulheres (Streptococcus agalactiae)

Preparo do Paciente (Orientações):

·      Realizar higiene íntima habitual com água e sabonete, somente externamente.

·      Não fazer uso de creme e/ou óvulo vaginal ducha e/ou lavagem interna nas últimas 48h.

·      No caso de uso prévio ou atual de antimicrobianos, deve ser informado o nome do medicamento. O uso de antimicrobianos não impede a realização da cultura. Entretanto, em alguns casos, pode interferir no resultado.

·      A coleta deve ser feita preferencialmente entre a 35a e a 37a semanas de gestação, porém pode ser realizada para qualquer paciente do sexo feminino, independente de gestação, se houver solicitação médica.

Instruções para coleta:

·      NÃO USAR ESPÉCULO PARA COLETA.

·      NÃO COLETAR MATERIAL CERVICAL.

·      Colher dois swabs:

1.  Primeiro swab: um swab (estéril alginatado)  do intróito vaginal (terço inferior) – INSERIR NO MEIO DE TRANSPORTE AMIES;

2.  Segundo swab: um swab (estéril alginatado) do reto (inserir através do esfíncter anal) – INSERIR NO MEIO DE TRANSPORTE AMIES.

Importante: NUNCA utilizar o mesmo swab para coletar vaginal e do reto – utilizar SEMPRE dois swabs separadamente.

·      Identificar (etiqueta código de barra) e região coletada.

·      Encaminhar ao laboratório em temperatura ambiente.

13.   Secreção Prostática – poderá ser coletado após massagem digital pelo reto por procedimento médico, podendo ser acompanhadas de amostras de urina pré e pós-massagem. O material ejaculado também poderá ser submetido a análise. Na suspeita de Neisseria gonorrhoeae em mulheres, bacterioscopia e cultura são os métodos de escolha, sendo o material coletado do endocervix. O encaminhamento deve ser feito em meios de transporte.

 

6.9.2.  Secreção Uretral

1.  Desprezar as primeiras gotas da secreção.

2.  Coletar a secreção purulenta, de preferência pela manhã, antes da primeira micção ou estar há pelo menos 1 hora ou mais sem ter urinado.

3.  Coletar com swab esterilizado.

4.  Colocar a amostra em meio de transporte Amies ou Stuart e realizar as lâminas para bacterioscopia da secreção fresca. Anotar com auxílio de um lápis na parte fosca da lâmina, o RG lab.

5.  Encaminhar imediatamente para o Laboratório.

Obs. Para Trato genital masculino:

a)  Fazer assepsia da genitália (de toda a glande, prepúcio e adjacências) com solução fisiológica estéril, secando com gaze estéril.

b)  Secreção abundante, solicitar gentilmente ao paciente que faça suave compressão do pênis para que a secreção se exteriorize, e com um Swab estéril realizar a coleta.

c)  Secreção escassa, proceder da mesma maneira à assepsia e coletar a amostra introduzindo o swab delicadamente no orifício uretral, fazendo movimento rotatório e obtendo a amostra.

 

Da rapidez na entrega da amostra ao Laboratório depende o sucesso da cultura.

 

N. gonorrhoeae é uma bactéria muito sensível e pode morrer rapidamente se não for semeada imediatamente após a coleta.

Em pacientes assintomáticos, deve-se coletar a amostra através de massagem prostática ou com pequeno swab inserido alguns centímetros na uretra.

 

6.9.3.  Secreção Cervical e Vaginal

 

CONSIDERAÇÕES PARA COLETA DE EXAMES MICROBIOLÓGICOS:

AMOSTRA A SER COLETADA – SECREÇÃO VAGINAL

EXAMES REALIZADOS

MATERIAL NECESSÁRIO PARA COLETA

Bacterioscopia

Um swab seco para duas lâminas

Cultura para aeróbios

Um swab e meio de transporte

Cultura para fungos

Um swab e meio de transporte

Exame a fresco

Um swab e meio de solução salina

AMOSTRA A SER COLETADA – SECREÇÃO ENDOCERVICAL

EXAMES REALIZADOS

MATERIAL NECESSÁRIO PARA COLETA

Bacterioscopia

Um swab seco para duas lâminas

Cultura para micoplasma e ureaplasma

Meio de transporte específico R1

Cultura para aeróbios

Um swab com meio de transporte

Cultura para fungos

Um swab com meio de transporte

 

6.9.4.  Preparo da Paciente Antes da Coleta

1.  Pausa sexual de 48 horas;

2.  Não fazer uso de creme ou óvulo vaginal;

3.  Não ter realizado ducha ou lavagem interna nas 48 horas que precedem o exame;

4.  Não ter realizado Ultra-som transvaginal nas 48 horas que precedem o exame

5.  Não estar menstruada;

6.  De preferência, a paciente deve estar de bexiga vazia para colocação do espéculo.

 

6.9.5.  Coleta Vaginal

1.  Deitar a paciente na maca em posição ginecológica;

2.  Calçar as luvas descartáveis;

3.  Preservar a intimidade com um lençol;

4.  Inserir um espéculo (sem lubrificante) na vagina, com o “swab” que acompanha o meio de transporte inserir pelo menos 2 cm dentro do canal vaginal;

5.  O segundo “swab” fazer o mesmo procedimento e colocar no tubo com solução salina para pesquisa de Trichomonas spp e Leveduras;

O terceiro “swab” fazer o mesmo procedimento e confeccionar um esfregaço circular no centro de duas lâminas sem usar fixador e colocar dentro do tubete. Depois deste procedimento este swab pode ser descartado. Anotar com auxílio de um lápis na parte fosca da lâmina, o RG lab.

IMPORTANTE (Pacientes virgens): (i) coletar sempre na presença de um responsável da paciente, (ii) deve ser coletado sempre pela enfermeira responsável, (iii) segurar os pequenos lábios, tracionar e olhar o hímen. Caso o pertuito permita a introdução folgada do cotonete, introduzir levemente para colher e não forçar. Caso não permita a coleta, solicitar ao médico para coletar.

 

6.9.6.  Coleta Endocervical – Mycoplasma /Ureaplasma

1.  Deitar a paciente na maca em posição ginecológica;

2.  Calçar as luvas descartáveis;

3.  Preservar a intimidade com um lençol;

4.  Inserir um espéculo (sem lubrificante) na vagina e retirar o excesso de secreção ectocervical com solução fisiológica,

5.  Em sequência, inserir o “swab” 2 cm no canal endocervical, rodar por lguns segundos, retirar evitando o contato com a parede vaginal e colocar no meio R1 - Mycoplasma/Ureaplasma - mergulhar o swab dentro da solução do tubo fornecido e agitar. Remova o swab e identifique o tubo.

 

6.9.7. Anaeróbios

NO MOMENTO O SETOR DE MICROBIOLOGIA ESTÁ PROCESSANDO AMOSTRAS DE SANGUE, LÍQUIDOS ORGÂNICOS E MEDULA ÓSSEA.

1.  Descontaminar o canal cervical com swab embebido de solução fisiológica;

2.  Coletar amostra do trato genital superior de forma a obter material celular da parede uterina.

3.  Amostras coletadas por laparoscopia, culdocentesis ou cirurgia também são apropriados para cultura de anaeróbios.

4.  Cultura de dispositivo intrauterino (DIU) é estratégico para cultivo anaeróbio de Actinomyces spp.

 

AMOSTRAS E SÍTIOS GENITAIS PARA CULTURA

 

NÃO INDICADOS PARA O CULTIVO DE ANAERÓBIOS

INDICADOS PARA O CULTIVO DE ANAERÓBIOS

TRATO FEMININO

Endocervix

Placenta (origem de cesária)

Vagina

Endometrio

Uretra

Tubas uterinas

Placenta

Aspirado cervical

Vulva

Ovário

Genital feminino

Glândulas de Bartholin

Períneo

 

TRATO MASCULINO

Uretra

 

Fluido prostático

 

Fluido seminal