6.6. Feridas, Abscessos e Exsudatos

6.6.1. Considerações para coleta

CULTURA

COMENTÁRIO

Bactérias

Aspirado ou amostra de biópsia são preferíveis ao invés de swab

Anaeróbios (atualmente somente processamos sangue)

Não é comum para queimaduras, úlceras, nódulos ou infecções superficiais da pela. Usado para mordeduras e traumas.

Fungos

Usado para diagnosticar fungos leveduriformes e filamentosos

Micobactérias

Útil no diagnóstico de M.marinum, M.fortuitum e M.chelonei

6.6.2.  Tecido Ósseo

1.  Obter amostra óssea através de cirurgia;

2.  Colocar num recipiente esterilizado contendo NaCl 0,9% esterilizado (solução fisiológica);

3.  Não usar formalina.

 

6.6.3.  Tecido Superficial e Cutâneo

A superfície da ferida de queimadura estará colonizada pela microbiota do próprio paciente ou pelos microrganismos do meio-ambiente em que se encontra. Quando a colonização de bactérias e/ou fungos for grande, pode ocorrer infecção subcutânea, resultando numa bacteremia e/ou fungemias. Cultura somente da superfície pode levar a erros, e é desaconselhável. Portanto, biópsia de tecido profundo é o mais indicado. Os microrganismos não ficam distribuídos somente na ferida queimada, por isso, recomenda-se coletar amostras de áreas adjacentes à queimadura.

1.  Desinfectar a superfície com solução fisiológicas ou álcool 70%. Deixar secar antes de colheita a amostra.

2.  Coletar amostra de punção de biópsia (3 a 4mm) para cultura.

 

Amostras de micoses superficiais e cutâneas

Também denominadas dermatomicoses acometem: pele, pêlo, unhas, provocando algumas delas alterações somente de importância estética.

 

Instruções de Coleta:

A coleta de material biológico é a primeira etapa no processo de identificação dos fungos. Quando realizada incorretamente, dificulta a observação, isolamento e identificação do agente causal da doença.

A suspensão da medicação tópico por 15 dias ou sistêminca por 30 dias é uma decisão exclusiva do clínico.

Procedimento da coleta: varia segundo a região acometida, suspeita clínica e tipo de material biológico. A quantidade de amostra coletada deve ser suficiente (maior volume possível) para permitir o procedimento de identificação laboratorial do fungo: como exame microscópico direto e cultivos em vários meios, com eventuais repetições desses exames para confirmação dos achados laboratoriais.

 

A. Amostras de pele

A prévia desinfecção da lesão com algodão embebido em álcool 70%, diminui a microbiota, aumentando a sensibilidade do exame micológico e/ou cultura.      

Raspar a lesão com espátula de aço. Nas lesões sugestivas de dermatofitose (Figura 1), a coleta deve ser feita nas bordas da lesão, já que este é o sítio ativo da infecção.

Quando o raspado da lesão não pode ser realizado, pode-se optar por métodos tais como o de Porto (só para pitiríase versicolor – popularmente conhecida como pano branco ou micose de praia) que consiste em utilizar uma fita adesiva transparente (Durex) que é pressionada sobre a lesão, removida e fixada (no sentido vertical) sobre uma lâmina para microscopia. Embrulhar e transportar ao laboratório (Mariat, Tapia, 1966). As desvantagens são a falta do cultivo ao empregar a técnica de Porto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


B. Amostras de unha

A lesão pode-se localizar na região subungueal distal, proximal ou lâmina superficial da unha. A tomada da amostra dependerá do tipo de lesão.

Deve-se remover a presença de esmalte 3 a 4 dias antes da coleta. Na onicomicose superficial branca (Figura 2), raspam-se as áreas esbranquiçadas da parte superficial com o auxilio espátula de aço. No acometimento subungueal, deve-se raspar profundamente a área infectada desde a porção distal à proximal.        

Os primeiros detritos coletados da porção distal deverão ser eliminados já que são ricos em contaminantes. As escamas obtidas da porção profunda da lesão serão usadas para o exame micológico. Quando as unhas são distróficas (Figura 3), pode-se auxiliar a coleta com tesouras limpas e desinfetadas para corte das unhas (utilizar tesouras de ponta romba).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


C. Amostras de cabelo e pêlo

Nas tinhas do couro cabeludo e da barba, as amostras devem incluir escamas da pele e os pêlos ou cabelos alterados (Figura 4). Os cabelos opacos e engrossados são facilmente arrancados, a partir das bordas das placas alopécicas com ajuda de uma pinça limpa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Transporte das amostras

Os pêlos, escamas de pele ou de unhas, podem ser colhidos e transportados:

a)  entre duas lâminas de vidro limpas, secas, e colocadas em tubete (preferencialmente)

b)  e/ou placas de Petri bem vedadas com fita crepe, ou frasco estéril universal  - sempre com a identificação da amostra;

c)  Amostras de diferentes locais deverão ser coletadas separadamente e identificadas.

Anotar com auxílio de um lápis na parte fosca da lâmina, o RGLab do paciente (ou colar a etiqueta ) e o local da coleta.

 

Amostra de Micoses subcutanêas

A. Lesões sugestivas de Esporotricose

No caso de abscessos fechados a obtenção de material purulento é feita por punção, com seringa esterilizada ou por drenagem com prévia limpeza da zona implicada (procedimento médico). Quando o abscesso drena espontaneamente, o material purulento deve ser colhido com espátula, alça ou ´swab¨ e transferido a um tubo esterilizado com solução salina (procedimento médico).

 

B. Lesões sugestivas de Micetoma

O material compreende pus que deve conter grãos que podem ser visíveis a olho nu. Quando é difícil a coleta da amostra, recomenda-se colocar gaze sobre a superfície lesada por 18 a 24 h o que permitirá recuperar os grãos para o estudo micológico completo. 

 

C. Lesões sugestivas de Cromoblastomicose

Na superfície cutânea lesada, observam-se geralmente pontos negros devido à eliminação transepitelial do fungo. O material biológico deve ser coletado a partir dos pontos enegrecidos da lesão. Escamas e crostas com auxílio de bisturi e agulhas esterilizadas, biopsias podem também ser obtidas (procedimento médico).

 

D. Lesões sugestivas de Lobomicose (Doença de Jorge Lobo)

A amostra compreende material biológico coletado por biópsia ou secreção das lesões ulceradas colhidas com espátula, bisturi ou ´swab¨ e transferido a um tubo esterilizado contendo solução salina (procedimento médico). O exame microscópico direto e/ou anatomopatológico confirmam o diagnóstico de lobomicose. Cultura não obtida, até o presente.

 

E. Lesões sugestivas de Rinosporidiose

O material biológico deve ser colhido da superfície de crescimento polipoide. Exame microscópico direto e cortes de tecido corados confirmam o diagnóstico.

 

F. Feohifomicose subcutânea

Colher o material dos abscessos subcutâneos por punção ou biópsia (procedimento médico).

 

G. Zigomicose subcutânea

Colher uma pequena porção do material por biópsia (procedimento médico).

 

6.6.4.  Biópsias de Pele (procedimento médico)

1.  Descontaminar a superfície com álcool 70%;

2.  Procedimento médico, coletar 3 a 4 mm de amostra;

3.  Colocar num recipiente esterilizado, sem formalina, contendo NaCl 0,9% (solução salina) forrnecido pelo laboratório.

 

6.6.5.  Anaeróbios

Aspirar o material com agulha e seringa após desinfecção da área ou coletar pequena amostra de curetagem de tecido profundo ou bordas. (procedimento médico)

 

NO MOMENTO O SETOR DE MICROBIOLOGIA ESTÁ PROCESSANDO AMOSTRAS DE SANGUE, LÍQUIDOS ORGÂNICOS E MEDULA ÓSSEA.